O tratamento para NIVA tem como objetivo tratar alterações celulares da mucosa vaginal antes que evoluam para câncer, preservando a saúde íntima, a função vaginal e a qualidade de vida da mulher
A neoplasia intraepitelial vaginal, ou NIVA, é uma condição importante para a saúde ginecológica feminina. Ela representa alterações precoces nas células da mucosa vaginal que ainda não invadiram tecidos profundos, mas têm potencial para evoluir caso não sejam identificadas e tratadas a tempo. Para a mulher, compreender o que é, como surge, quando requer intervenção e quais são as opções de tratamento para NIVA é fundamental — assim como saber quais cuidados seguir após o tratamento e que impacto pode ter em sua fertilidade e qualidade de vida.
A neoplasia intraepitelial vaginal (NIVA) é uma lesão pré-invasiva da vagina, caracterizada por alterações anormais das células do epitélio vaginal, sem invasão dos tecidos profundos.
Ela é classificada conforme a profundidade das alterações celulares:
- NIVA grau I (leve)
- NIVA grau II (moderada)
- NIVA grau III (grave) – com maior risco de progressão para câncer
Apesar de rara, a NIVA é mais comum em mulheres com infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV) ou que tenham sido submetidas à histerectomia por lesões cervical (no colo do útero) ou vaginal.
Causas da NIVA
Várias condições estão associadas ao surgimento da NIVA. Entre as causas e fatores de risco mais reconhecidos estão:
- Infecção persistente por tipos de alto risco do HPV, que podem induzir mutações celulares no epitélio vaginal;
- Histórico de lesões pré-cancerosas em outras regiões do trato genital inferior (colo do útero, vulva) ou histerectomia prévia por lesão causada pelo HPV;
- Tabagismo, que interfere na imunidade local e favorece a persistência viral ou celular de dano;
- Imunossupressão — por exemplo, em mulheres com HIV ou em tratamento imunossupressor;
- Radioterapia prévia na região pélvica;
- Presença de neoplasia intraepitelial no colo uterino ou na vagina.
Esses fatores não significam que toda mulher exposta desenvolverá NIVA, mas elevam o risco e indicam maior necessidade de avaliação ginecológica especializada.
Como diagnosticar a NIVA?
O diagnóstico da neoplasia intraepitelial vaginal envolve várias etapas:
- Exame ginecológico clínico: inspeção da mucosa vaginal, identificação de áreas suspeitas de alteração;
- Citologia oncótica (Papanicolau) e/ou teste para HPV podem apontar alterações que sugerem investigação adicional;
- Colposcopia ou vaginoscopia: exame de ampliação óptica da mucosa vaginal, permitindo identificar áreas que merecem biópsia;
- Biópsia da lesão: retirada de fragmento de tecido para exame histopatológico, que confirma o grau da lesão, avalia se há invasão ou não, e orienta o tratamento para NIVA.
O laudo histopatológico definirá a gravidade da NIVA e se há necessidade de intervenção imediata ou vigilância.
Quando o tratamento para NIVA é necessário?
O tratamento para NIVA depende de fatores como:
- Grau da lesão;
- Extensão e localização;
- Persistência ao longo do tempo;
- Idade, estado imunológico e sintomas da paciente;
- Se há suspeita de câncer;
Condutas de tratamentos possíveis:
- NIVA grau I: acompanhamento ou vaporização com laser co2 com micromanipulador;
- NIVA grau II e III: geralmente requer tratamento ativo;
- Lesões extensas ou recorrentes exigem abordagem individualizada;
A indicação individualizada é fundamental — a especialista avalia cada caso e define o momento e tipo de tratamento mais adequado.
Tratamento para neoplasia intraepitelial vaginal (NIVA)
O padrão-ouro de tratamento para NIVA, ou seja o melhor tratamento disponivel é a vaporização com laser co2 com micromanipulador, por alguns motivos:
- Não deixa sequelas e preserva função sexual: a aplicação do laser destrói a lesão, após isso a mucosa vaginal regenera por completo sem deixar sequelas;
- Canal vaginal é extenso, o que dificulta o tratamento cirúrgico, pelo risco de encurtar o canal vaginal e estenose de canal vaginal;
- Eficácia alta: a taxa de eficácia do laser é de 97% em 2 sessões;
- Segurança: tratamento minimamente invasivo, reduz risco de lesão de órgãos adjacentes, como bexiga e intestino e de sangramento aumentado, já que a vagina é muito vascularizada.
Esse tratamento está indicado em mulheres que possuem colo uterino ou em mulheres histerectomizadas quando a lesão está em paredes vaginais.
No caso da lesão sem em cúpula vaginal (fundo de saco vaginal) em mulheres que realizaram histerectomia (retirada do útero), quando presente NIVA 2 ou NIVA 3 , a indicação é a cirurgia de colpectomia (retirada da cupula vaginal).
Terapias tópicas ou clínicas, como o uso de creme de 5-fluorouracil (5-FU) ou uso de imiquimode, com objetivo de estimular resposta imunológica local ou destruir células alteradas pode ser indicadas em associação ao laser co2.
Existe risco da NIVA virar câncer?
Sim. A neoplasia intraepitelial vaginal representa uma lesão precursora do câncer de vagina.
Estudos publicaram taxas de progressão variáveis, e o risco aumenta em lesões de alto grau (grau III), em mulheres com imunossupressão (HIV, transplantadas, usuárias de corticóide ou imunossupressores), múltiplos fatores de risco ou sem seguimento adequado.
Por essa razão, o tratamento para NIVA e o seguimento rigoroso dos protocolos são peças centrais para prevenir a evolução para câncer invasivo.
Prevenção e cuidados após o tratamento para NIVA
Após tratamento para NIVA, são recomendados cuidados para reduzir risco de recidiva ou novas lesões:
- Acompanhamento periódico com citologia e colposcopia e teste HPV;
- Evitar tabagismo, adoção de estilo de vida saudável que favoreça imunidade;
- Uso de preservativos;
- Vacinação contra HPV, se ainda não realizada;
- Avaliação do parceiro.
Essas medidas ajudam a proteger o tecido vaginal já tratado e a minimizar fatores de risco adicionais.
O tratamento da NIVA afeta a fertilidade?
Não. O tratamento para neoplasia intraepitelial vaginal (NIVA) envolve a mucosa da vagina e não os ovários, trompas ou útero, portanto, não há impacto sobre a fertilidade.
Entretanto, alguns pontos merecem atenção:
- Cirurgia podem interferir na anatomia vaginal, o que pode afetar o conforto sexual ou a função íntima, indiretamente influenciando decisões reprodutivas;
- Em mulheres com desejo de gestação futura, o especialista deve considerar tratamento com laser co2 com micromanipulador, pois é conservador e preserva função reprodutiva.
É importante a mulher discutir com seu ginecologista os aspectos reprodutivos antes de iniciar o tratamento para neoplasia intraepitelial vaginal.
A neoplasia intraepitelial vaginal pode voltar depois do tratamento?
Sim. A recidiva ou surgimento de nova lesão é possível após tratamento para NIVA, especialmente em:
- Lesões de alto grau;
- Pacientes imunossuprimidas;
- Casos sem seguimento adequado.
Estudos indicam taxas de recidiva que variam significativamente conforme o grau e extensão da lesão original e técnica utilizada para o tratamento (por isso é preferível realizar tratamento com laser co2 com micromanipulador devido a alta eficácia e por não deixar sequelas).
Se você recebeu o diagnóstico de neoplasia intraepitelial vaginal (NIVA) ou apresenta alterações em exames ginecológicos e deseja avaliação personalizada, a Dra. Maria Emília F. De Barba está à disposição para atendê-la com expertise em patologia do trato genital inferior, colposcopia e tratamentos especializados.
Agende sua consulta para esclarecimento detalhado, escolha do tratamento mais adequado e acompanhamento cuidadoso.
Fontes:
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia – Febrasgo



