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Biópsia de vulva: para que serve?


Médica ginecologista realizando biópsia de vulva em paciente
Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)

18 dezembro, 2025 |

| 6 min. de leitura

A biópsia de vulva é um exame fundamental para diagnosticar lesões persistentes na região vulvar, garantindo tratamento adequado e segurança

Quando há alterações visíveis ou sintomas incomuns na vulva — como feridas, placas, prurido persistente ou lesões que não cicatrizam — a biópsia de vulva torna-se uma ferramenta decisiva. Esse procedimento permite identificar se há condições benignas, pré-neoplásicas ou malignas, direcionando o tratamento com precisão.

Neste conteúdo, você vai entender:

  • O que é e para que serve a biópsia de vulva
  • Quando ela é indicada
  • Como o exame é realizado
  • Cuidados antes e depois do procedimento
  • Tempo de cicatrização
  • Relação entre biópsia de vulva e HPV

O que é e para que serve a biópsia de vulva?

A biópsia de vulva consiste na retirada de uma pequena amostra de tecido da região vulvar para análise histopatológica em laboratório.

Ela é indicada para identificar:

  • Doenças inflamatórias crônicas (como líquen escleroso e líquen plano);
  • Dermatoses benignas, como doença de Hailey Hailey;
  • Neoplasia intraepitelial vulvar (NIV), que são lesões pré- cancerosas;
  • Alterações celulares associadas ao HPV;
  • Câncer de vulva, em fases iniciais ou avançadas.

Esse exame é realizado quando, durante a avaliação clínica ou por meio de vulvoscopia (exame com aumento óptico da vulva), são identificadas áreas suspeitas que merecem investigação mais aprofundada.

O principal objetivo do exame é diferenciar lesões benignas (como eczema, líquen, ceratose) de lesões potencialmente graves, definindo conduta terapêutica segura.

Quando a biópsia de vulva é indicada?

A biópsia de vulva costuma ser indicada em casos como:

  • Lesões persistentes na vulva (placas, úlceras, feridas) que não cicatrizam;
  • Áreas endurecidas, espessadas ou com mudança de texturar;
  • Prurido intenso sem resposta ao tratamento habitual;
  • Suspeita de lesão ligada ao HPV, especialmente quando há mudanças pigmentares ou características atípicas;
  • Alterações detectadas em vulvoscopia que levem à suspeita displasia ou neoplasia;
  • Seguimento de diagnóstico prévio de lesões vulvares para confirmar recidiva ou regressão;
  • Placas brancas, avermelhadas ou escurecidas na vulva;
  • Dor ou ardor vulvar sem causa aparente.

Essas indicações ajudam a garantir que não haja demora no diagnóstico de lesões mais graves que necessitam de tratamento rápido.

Como se preparar para o exame?

Antes da biópsia de vulva e vulvoscopia associada, você pode tomar algumas providências para favorecer o conforto e o sucesso do exame:

  • Evitar relações sexuais nos 2 a 3 dias anteriores ao exame;
  • Não usar duchas vaginais, cremes ou substâncias tópicas vulvares nos dias que antecedem o exame;
  • Evitar depilar ou usar lâmina na vulva nas 24 a 48 horas anteriores ao procedimento;
  • Preferir realizar o exame fora do período menstrual, porém a menstruação não impede a realização do exame;
  • Levar exames anteriores, laudos ou fotos se disponíveis;
  • Informar ao médico se estiver utilizando medicamentos tópicos, antifúngicos, corticóides ou imunossupressores na região vulvar.

Esses cuidados ajudam a evitar interferências visuais ou inflamatórias que possam atrapalhar a avaliação.

Como o exame de vulvoscopia com biópsia é realizado?

O procedimento é realizado em consultório especializado em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia e segue etapas seguras:

  1. A paciente é posicionada como em um exame ginecológico;
  2. Realiza-se a vulvoscopia, com avaliação detalhada da vulva;
  3. Aplicação de magnificação óptica com colposcópio para observar em detalhe de áreas suspeitas na vulva (lábios maiores, lábios menores, clitóris, períneo);
  4. Se forem identificadas áreas suspeitas, aplica-se anestesia local na região da vulva para minimizar o desconforto;
  5. Com instrumento adequado (bisturi, pinça ou lâmina fina), retira-se um fragmento pequeno da lesão para enviar ao laboratório;
  6. O local pode receber hemostáticos ou medidas de contenção para controle de sangramento;
  7. A amostra é então fixada em formalina ou meio adequado e encaminhada à análise anatomopatológica.

Durante o exame, pode-se usar corantes ou soluções como ácido acético diluído para realçar áreas suspeitas ou circulações alteradas.

Quanto tempo dura o exame de biópsia de vulva?

A vulvoscopia com biópsia geralmente leva entre 10 a 15 minutos, dependendo do número de áreas a serem examinadas e biopsiadas. Se a lesão for única e de fácil acesso, pode ser mais rápido; se houver múltiplas áreas ou necessidade de estudo detalhado, pode levar um pouco mais.

Recuperação e cuidados pós biópsia de vulva

Após a biópsia de vulva, inicia-se a fase de cicatrização local:

  • É normal que haja sangramento ou secreção leve nos primeiros dias;
  • Pode surgir secreção serosa ou leve descarga sanguinolenta enquanto o tecido se recompõe;
  • Utilizar absorventes externos, se necessário;
  • Evitar relações sexuais por 3 a 7 dias ou conforme orientação médica;
  • Manter higiene com água e sabão neutro na parte externa, sem fricção e sem duchas vaginais;
  • Evitar calças apertadas ou roupas sintéticas dos próximos dias.

Esses cuidados visam proteger a área e favorecer cicatrização sem complicações.

Quanto tempo demora para cicatrizar?

Apesar de variar com fatores individuais (saúde da paciente, extensão da biópsia, vascularização), a cicatrização costuma ocorrer em 20 a 30 dias. Em muitos casos, nas primeiras duas semanas já há melhora significativa do aspecto local. A “crosta” formada geralmente se desprende espontaneamente enquanto o novo tecido se forma.

Se após esse período persistirem dor intensa, sangramento abundante, secreção purulenta ou odor fétido, é importante reavaliar com o médico.

Benefícios da vulvoscopia

A vulvoscopia, inclusive quando associada à biópsia, oferece os seguintes benefícios:

  • Diagnóstico preciso de lesões vulvares invisíveis a olho nu;
  • Detecção precoce de lesões pré-neoplásicas ou câncer vulvar;
  • Orientação para tratamento correto e individualizado;
  • Redução de tempo para intervenção adequada;
  • Possibilidade de monitoramento e vigilância de lesões vulvares recorrentes ou persistentes.

Ela amplia o olhar clínico do ginecologista e evita atrasos no diagnóstico de doenças importantes.

Qual a diferença entre vulvoscopia e colposcopia?

A vulvoscopia examina a vulva, ou seja, a parte externa dos órgãos genitais femininos (lábios, clitóris, períneo). O objetivo é identificar lesões externas.

Já a colposcopia avalia o colo do útero e a vagina, buscando alterações celulares no canal vaginal e no colo.

Em muitos casos, ambos os exames são complementares: alterações vulvares podem coexistir com alterações cervicais e vaginais e por isso devem ser feitos em conjunto, principalmente quando há suspeita de lesões causadas pelo vírus HPV.

Quando o resultado da biópsia de vulva fica pronto?

O laudo anatomopatológico da biópsia de vulva geralmente fica disponível em 7 a 14 dias, dependendo do laboratório e da complexidade da lesão analisada. Em casos suspeitos de malignidade, pode existir prioridade para liberar o resultado em tempo mais rápido, após solicitação médica.

A biópsia de vulva é indicada para diagnosticar HPV?

Sim, em parte. A biópsia de vulva não detecta diretamente o HPV — esse é um exame molecular (PCR genotipagem ou captura híbrida); mas, ao retirar o tecido vulvar alterado, identifica alterações celulares causadas por ele, como atipias e neoplasia intraepitelial vulvar.

Exames como PCR e genotipagem são utilizados para identificar o vírus, enquanto a biópsia avalia os efeitos do HPV no tecido.

Se você perceber lesão, dor, prurido ou mancha na vulva que persista mesmo após tratamentos simples, procure a Dra. Maria Emília F. De Barba para avaliação especializada. Ela poderá realizar vulvoscopia e, se necessário, biópsia de vulva para garantir diagnóstico seguro e tratamento adequado.

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Fontes:

Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia

Manual MSD

Febrasgo

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