Alteração pode ter diferentes origens, desde irritações simples até condições infecciosas ou inflamatórias, exigindo avaliação adequada para diagnóstico correto
Encontrar uma lesão na vulva pode gerar medo, vergonha e muitas dúvidas. A alteração pode aparecer como uma ferida, mancha, caroço, verruga, fissura, área de vermelhidão, coceira persistente ou mudança na textura da pele da região íntima.
Nem toda lesão vulvar é grave. No entanto, toda alteração persistente, recorrente ou com aspecto diferente deve ser avaliada, porque as causas podem variar desde irritações simples até infecções, dermatoses vulvares, HPV, herpes genital ou lesões pré-malignas.
Sou a Dra. Maria Emília Ferreira de Barba, ginecologista com atuação em Patologia do Trato Genital Inferior, Colposcopia, Vulvoscopia e doenças da vulva, em São José dos Campos. Neste artigo, explico os principais tipos de lesões na vulva, suas causas mais comuns, quando pode ser necessário realizar biópsia e em quais situações a avaliação médica não deve ser adiada.
O que são lesões na vulva e quais os tipos mais comuns
As lesões na vulva são alterações que surgem na parte externa dos órgãos genitais femininos. Elas podem envolver os grandes lábios, pequenos lábios, clitóris, entrada da vagina, períneo ou região ao redor do ânus.
Essas alterações podem ter diferentes aparências, como:
- feridas;
- fissuras ou rachaduras;
- manchas vermelhas, brancas, escuras ou acinzentadas;
- bolinhas ou caroços;
- verrugas;
- placas espessadas;
- áreas descamativas;
- úlceras;
- erosões;
- áreas com coceira, ardência ou dor.
Além disso, essas alterações podem ser únicas ou múltiplas, dolorosas ou assintomáticas, com evolução rápida ou progressiva. A aparência clínica, associada aos sintomas, é um dos principais elementos utilizados pelo médico para direcionar o diagnóstico.
Quais as causas das lesões na vulva?
As causas das lesões na vulva são variadas e podem ser classificadas, de forma geral, em infecciosas e não infecciosas. Essa distinção é importante, pois influencia diretamente a abordagem diagnóstica e o tratamento indicado.
Além disso, alguns fatores individuais podem contribuir para o surgimento dessas lesões. São eles:
- Hábitos de higiene;
- Uso de produtos irritantes;
- Alterações hormonais;
- Condições sistêmicas.
Por isso, é fundamental que a presença de lesões na vulva seja sempre investigada de maneira individualizada.
Causas infecciosas
As causas infecciosas podem estar relacionadas a vírus, fungos ou bactérias.
Entre as principais estão:
- herpes genital;
- HPV;
- candidíase;
- infecções bacterianas;
- outras infecções sexualmente transmissíveis.
O herpes genital pode causar bolhas e feridas dolorosas na região genital, com possibilidade de recorrência. O HPV genital pode causar verrugas, lesões visíveis ou alterações que nem sempre apresentam sintomas.
A candidíase, por sua vez, pode provocar coceira intensa, vermelhidão, fissuras, ardência e irritação vulvar.
Em todos esses casos, o tratamento depende da identificação correta da causa. Usar pomadas ou medicamentos por conta própria pode mascarar sintomas e atrasar o diagnóstico.
Causas não infecciosas
Nem toda lesão na vulva é causada por infecção ou IST.
As causas não infecciosas incluem:
- dermatites de contato;
- alergias a produtos íntimos;
- irritação por sabonetes, absorventes ou lenços umedecidos;
- atrito por roupas apertadas;
- ressecamento vulvovaginal;
- alterações hormonais do climatério e da menopausa;
- líquen simples crônico;
- líquen escleroso;
- líquen plano;
- doenças autoimunes ou inflamatórias da pele;
- microtraumas locais.
Condições como líquen escleroso, líquen plano e líquen simples crônico podem acometer preferencialmente a região vulvar e exigem diagnóstico diferenciado. O líquen escleroso, por exemplo, é uma dermatose inflamatória crônica que costuma acometer a região anogenital e pode exigir confirmação com biópsia em algumas situações.
Toda ferida na vulva é um sinal de IST?
Nem toda lesão na vulva está relacionada a uma infecção sexualmente transmissível (IST). Embora algumas ISTs possam se manifestar por meio de feridas ou verrugas, existem diversas outras causas não infecciosas que podem gerar lesões semelhantes.
Por isso, associar automaticamente qualquer alteração vulvar a uma IST pode levar a interpretações equivocadas. A avaliação médica é essencial para diferenciar as causas e orientar o tratamento adequado com segurança.
O que é vulvoscopia?
A vulvoscopia é um exame realizado para avaliar a vulva com aumento de imagem, permitindo observar detalhes da pele e das mucosas que podem não ser percebidos no exame comum.
Ela pode ser indicada quando há manchas, verrugas, feridas, fissuras, coceira persistente, suspeita de HPV, suspeita de NIV (lesão pré-maligna), de líquen vulvar ou de câncer de vulva.
A vulvoscopia ajuda a direcionar o diagnóstico e, quando necessário, orientar o melhor local para realização de biópsia.
Quando a lesão vulvar exige biópsia?
A biópsia da vulva pode ser indicada quando a lesão precisa ser analisada com mais precisão.
Isso pode acontecer em casos de:
- lesão persistente;
- ferida que não cicatriza;
- alteração que não melhora com o tratamento inicial;
- mancha ou placa com aspecto atípico;
- suspeita de líquen escleroso, líquen plano ou outra dermatose;
- suspeita de lesão pré-maligna;
- suspeita de neoplasia intraepitelial vulvar, também chamada de NIV;
- suspeita de câncer de vulva.
A biópsia permite analisar o tecido no microscópio e ajuda a diferenciar doenças infecciosas, inflamatórias, autoimunes, pré-malignas ou malignas. Em lesões suspeitas, a Febrasgo recomenda avaliação com vulvoscopia e biópsias dirigidas quando indicado.
O que fazer ao notar lesões na vulva?
Ao identificar qualquer alteração na região vulvar, o mais indicado é evitar a automedicação e buscar avaliação com um médico ginecologista especialista em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia. Isso é importante, pois diferentes condições podem apresentar sintomas semelhantes, exigindo diagnóstico preciso.
Além disso, o ideal é evitar medidas que possam piorar a irritação ou dificultar o diagnóstico, como:
- espremer ou cutucar a lesão;
- aplicar pomadas sem orientação;
- usar receitas caseiras;
- lavar excessivamente a região;
- usar sabonetes íntimos perfumados;
- fazer duchas vaginais;
- tentar remover verrugas ou feridas em casa;
- adiar avaliação quando a lesão persiste.
Como as lesões na vulva são tratadas?
O tratamento das lesões na vulva depende diretamente da causa identificada. Em casos infecciosos, podem ser utilizados medicamentos antivirais, antifúngicos ou antibióticos ou tratamentos específicos para HPV, conforme o agente envolvido.
Nas causas não infecciosas, o tratamento pode incluir:
- corticosteroides tópicos;
- controle de fatores irritantes;
- hidratação e proteção da pele vulvar;
- suspensão de produtos agressivos;
- tratamento do ressecamento vulvovaginal;
- uso de laser co2;
- biópsia ou retirada de lesões quando indicado;
- tratamento biorregenerativo com uso de células tronco como plasma rico em plaquetas e fibrina ou nanolipoenxertia regenerativa.
Portanto, a abordagem terapêutica deve ser sempre individualizada e acompanhada por um médico ginecologista especialista em patologia do trato genital inferior, que seguirá critérios bem definidos e monitoramento adequado.
Quando procurar avaliação médica?
Procure avaliação ginecológica se você apresenta:
- ferida na vulva;
- verruga genital;
- caroço na vulva;
- fissura ou rachadura persistente;
- mancha branca, vermelha, escura ou irregular;
- coceira vulvar persistente;
- ardência ou dor na região íntima;
- dor nas relações sexuais;
- sangramento na lesão;
- ferida que não cicatriza;
- lesão que aumenta de tamanho;
- alteração que volta com frequência.
A ausência de dor não significa que a lesão seja sem importância. Algumas alterações relevantes podem ser pouco sintomáticas ou completamente assintomáticas.
Perguntas frequentes sobre lesões na vulva
Lesão na vulva sem dor é preocupante?
Pode ser.
Algumas lesões benignas não causam dor, mas alterações relacionadas ao HPV, dermatoses vulvares e até lesões pré-malignas também podem ser pouco sintomáticas.
Por isso, uma lesão persistente, recorrente ou com mudança de cor, tamanho ou textura deve ser avaliada.
Posso usar pomada sem receita para tratar uma lesão na vulva?
Não é recomendado.
A automedicação pode mascarar sintomas, irritar ainda mais a região, alterar a aparência da lesão, agravar alguma lesão existe e dificultar o diagnóstico correto. Por exemplo, o uso de pomada de corticóide sobre uma lesão infecciosa tende a piorar a lesão e até mesmo aumentar o risco de evolução para câncer no caso de uma lesão pré maligna causada pelo vírus do HPV.
Ferida na vulva pode ser herpes?
Sim, pode. O herpes genital pode causar bolhas e úlceras dolorosas na região genital. Porém, nem toda ferida na vulva é herpes.
Fissuras, dermatites, líquen escleroso, líquen plano, trauma local e outras condições também podem provocar feridas ou erosões.
Verruga na vulva é sempre HPV?
A maioria das verrugas genitais está relacionada ao HPV, mas a avaliação médica é importante para confirmar o diagnóstico e diferenciar de outras lesões elevadas da vulva.
Além disso, algumas alterações por HPV podem não ser visíveis a olho nu, exigindo avaliação especializada.
Lesão na vulva pode ser câncer?
A maioria das lesões vulvares é benigna. No entanto, algumas alterações podem representar lesões pré-malignas ou câncer de vulva, especialmente quando são persistentes, endurecidas, sangram, não cicatrizam ou têm aspecto atípico.
Por isso, não é indicado esperar por longos períodos quando uma lesão não melhora.
Qual médico trata lesões na vulva?
O ginecologista com atuação em Patologia do Trato Genital Inferior, Colposcopia e Vulvoscopia é o profissionais mais indicado para avaliar lesões vulvares.
Essa área permite investigar alterações da vulva, vagina e colo do útero, diferenciar dermatoses vulvares, avaliar lesões relacionadas ao HPV e indicar biópsia quando necessário.
Lesão na vulva precisa de diagnóstico correto
Se você percebeu uma ferida, mancha, verruga, fissura, caroço ou alteração persistente na região íntima, não tente tratar sozinha e não adie a avaliação.
As lesões na vulva podem ter diferentes causas, e o tratamento adequado depende de um diagnóstico preciso.
A Dra. Maria Emília Ferreira de Barba atende em São José dos Campos, e é ginecologista com título de especialista em Patologia do Trato Genital Inferior, oferecendo avaliação e tratamento especializado. Entre em contato e agende uma consulta com a Dra. Maria Emília F. de Barba.
O diagnóstico adequado é o primeiro passo para tratar a causa e evitar complicações.
Fontes:
Febrasgo;
Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia
ISSVD.



