A neoplasia intraepitelial vulvar (NIV) é uma lesão pré-invasiva da vulva que exige diagnóstico cuidadoso para evitar a progressão ao câncer
A neoplasia intraepitelial vulvar (NIV) é uma lesão pré-invasiva da vulva, causada por alterações anormais nas células da superfície vulvar. Embora não seja câncer, a NIV tem potencial de progressão para câncer vulvar caso não seja diagnosticada e tratada corretamente.
Alterações na pele e mucosa vulvar devem ser avaliadas com atenção, pois muitas mulheres não observam a região regularmente e sintomas podem ser discretos no início.
A seguir, entenda o que é NIV, causas, sintomas, diagnóstico, riscos, tratamento e prevenção.
Entendendo o que é a neoplasia intraepitelial vulvar (NIV)
A NIV é uma alteração displásica das células escamosas da vulva, caracterizada por:
- Atipias celulares (alterações no formato e organização);
- Aumento do número de mitoses;
- Alterações na maturação epitelial;
- Sem invasão da membrana basal — por isso a NIV ainda não é câncer.
Originalmente, a NIV era classificada em graus (NIV 1, 2 e 3), conforme profundidade da alteração epitelial:
- NIV 1: atinge até um terço do epitélio.
- NIV 2: acomete até dois terços.
- NIV 3: envolve mais de dois terços do epitélio — também chamada de carcinoma in situ da vulva.
Hoje, a classificação mudou para:
- NIV tipo usual: relacionada ao HPV, mais comum em mulheres jovens.
- NIV diferenciada: não relacionada ao HPV, associada a doenças vulvares crônicas, especialmente líquen escleroso.
Compreender qual o tipo de NIV é essencial para definir a melhor estratégia de tratamento, já que o risco da NIV diferenciada é maior do que da NIV usual e ambas são consideradas lesões precursoras do câncer vulvar, sendo necessária intervenção adequada.
Causas e fatores de risco da NIV
A neoplasia intraepitelial vulvar está associada a diversos fatores que aumentam a chance de desenvolvimento. Entre os principais destacam-se:
- Infecção persistente por HPV, especialmente os tipos de alto risco — fator associado ao tipo usual de NIV;
- Tabagismo, que reduz imunidade local e aumenta risco de progressão;
- Imunossupressão, como em pacientes com HIV ou uso de medicamentos imunossupressores;
- Doenças vulvares crônicas, como líquen escleroso, que predispondo a alterações locais e ao tipo diferenciado de NIV;
- Histórico de lesões intraepiteliais em outras regiões do trato anogenital (colo uterino, vagina, anal);
- Idade: embora a NIV diferenciada seja mais comum em mulheres mais idosas, a forma usual pode aparecer em mulheres mais jovens.
Esses fatores não implicam que toda mulher com HPV ou fumante terá NIV, mas elevam o risco, especialmente quando cumulativos.
Sinais e sintomas da neoplasia intraepitelial vulvar (NIV)
A NIV pode ser assintomática no início e descoberta apenas no exame ginecológico ou por meio de investigação colposcópica.
Quando presentes, os sintomas podem incluir:
- Coceira vulvar persistente ou recorrente;
- Queimação ou ardência na região vulvar;
- Dor ou desconforto ao toque;
- Alterações visuais da pele vulvar: placas, áreas esbranquiçadas, avermelhadas, pigmentadas;
- Dor durante relação sexual (dispareunia);
- Sensação de “ferida que não cicatriza”.
Esses sinais não são exclusivos da NIV, podendo coexistir com outras condições vulvares — por isso a avaliação especializada é fundamental.
Como diagnosticar a NIV?
O diagnóstico da neoplasia intraepitelial vulvar envolve várias etapas:
- Exame clínico e inspeção vulvar detalhada: o médico examina cuidadosamente toda a vulva, buscando alterações visuais e palpáveis.
- Vulvoscopia (exame com magnificação, similar à colposcopia) pode ser utilizada para destacar áreas suspeitas e orientar biópsia.
- Biópsia da lesão vulvar: é o exame definitivo (padrão ouro). Retira-se fragmento de tecido para análise histopatológica, confirmando ou não a presença da NIV, o tipo e seu grau.
- Em alguns casos, utiliza-se coloração com ácido acético ou corante para evidenciar áreas de atipia na mucosa vulvar.
É importante que o laudo estabeleça o tipo (usual ou diferenciado), o grau de atipia e margem de segurança, para orientar a conduta terapêutica.
Existe risco de a NIV virar câncer?
Sim. A neoplasia intraepitelial vulvar é considerada uma lesão pré-invasiva com risco potencial de progressão para câncer vulvar, caso não diagnosticada ou tratada adequadamente.
O risco é maior em:
- NIV diferenciada (relacionada a líquen vulvar);
- Pacientes imunossuprimidas;
- Lesões extensas;
- Casos de HPV persistente.
Por isso, mesmo em casos de regressão espontânea relatada, recomenda-se vigilância rigorosa ou tratamento.
A NIV é transmissível?
A NIV quando causada pelo vírus do HPV é uma lesão que transmite o vírus; ou seja, a lesão apresenta a presença do vírus e no contato genital-genital, genital-oral ou genital-anal irá transmitir a infecção para o parceiro ou parceira que pode ou não desenvolver alguma lesão por HPV dependendo da sua imunidade e presença de fatores de risco associados.
Qual é o tratamento para a neoplasia intraepitelial vulvar?
A escolha do tratamento depende do tipo de NIV, extensão, sintomas, idade da paciente e risco de progressão.
As opções incluem:
- Excisão cirúrgica local ou ampla da lesão, com margens de segurança — método indicado para NIV diferenciadas pelo maior risco de progressão para câncer;
- Laser CO₂ ginecologico ou vaporização a laser preservando o tecido saudável ao redor: padrão ouro (melhor tratamento) para NIV usual independente do grau por tratar a lesão sem mutilar a vulva. Muito útil em áreas sensíveis ou múltiplas;
- Terapia tópica com Imiquimod: uso de creme imunomodulador aplicado na lesão, induzindo resposta imunológica local. Tem demonstrado resultados promissores em casos de NIV tipo usual;
- Vigilância ativa: em lesões pequenas, assintomáticas e com baixo risco — aplicável a mulheres jovens e imunocompetentes.
Laser para tratamento de NIV
O laser CO₂ é uma alternativa moderna e minimamente invasiva que permite vaporizar a lesão, com controle da profundidade e preservação tecidual. É indicado especialmente para NIV usual independente do grau, permitindo:
- Tratamento preciso;
- Preservação de tecido saudável;
- Recuperação mais rápida.
Apesar disso, todas as modalidades de tratamento têm risco de recidiva, reforçando a necessidade de acompanhamento regular e a preferência por tratamento não excisional a fim de preservar a vulva e não mutilar a paciente.
Quem tem HPV sempre vai desenvolver NIV?
Não necessariamente. Nem toda mulher infectada pelo HPV vai ter neoplasia intraepitelial vulvar. Muitas infecções por HPV são transitórias e são eliminadas pelo sistema imunológico.
A progressão para NIV depende de fatores como:
- Persistência do HPV de alto risco;
- Tabagismo;
- Imunidade reduzida;
- Doenças vulvares crônicas.
Como prevenir a neoplasia intraepitelial vulvar?
Algumas estratégias podem reduzir o risco de NIV:
- Vacinação contra HPV, especialmente nas idades recomendadas, já que reduz infecções por tipos de alto risco;
- Evitar tabagismo, que é fator de risco conhecido;
- Tratamento correto e acompanhamento constante de doenças vulvares crônicas (líquen escleroso e outras dermatoses vulvares);
- Consultas ginecológicas regulares, com exame vulvar cuidadoso;
- Vigilância ativa em mulheres com lesões prévias no trato anogenital;
- Adotar medidas de proteção nas relações sexuais e controle de imunossupressão.
Essas ações não garantem ausência total de risco, mas reduzem significativamente probabilidade de surgimento ou progressão.
Se você apresenta:
- Coceira persistente,
- Placas ou manchas na vulva,
- Ardência,
- Dor na relação,
- Ferida que não cicatriza,
É recomendada avaliação imediata com ginecologista especialista em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia. A Dra. Maria Emília F. De Barba avalia cada caso individualmente e, quando indicado, realiza os exames necessários para diagnóstico da neoplasia intraepitelial vulvar e definição do tratamento mais seguro e adequado à sua condição.
Fontes:
Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia



