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O que é a neoplasia intraepitelial vulvar (NIV)?


Mulher com mãos na parte íntima e sentindo coceira
Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)

25 dezembro, 2025 |

| 6 min. de leitura

A neoplasia intraepitelial vulvar (NIV) é uma lesão pré-invasiva da vulva que exige diagnóstico cuidadoso para evitar a progressão ao câncer

A neoplasia intraepitelial vulvar (NIV) é uma lesão pré-invasiva da vulva, causada por alterações anormais nas células da superfície vulvar. Embora não seja câncer, a NIV tem potencial de progressão para câncer vulvar caso não seja diagnosticada e tratada corretamente.

Alterações na pele e mucosa vulvar devem ser avaliadas com atenção, pois muitas mulheres não observam a região regularmente e sintomas podem ser discretos no início.

A seguir, entenda o que é NIV, causas, sintomas, diagnóstico, riscos, tratamento e prevenção.

Entendendo o que é a neoplasia intraepitelial vulvar (NIV)

A NIV é uma alteração displásica das células escamosas da vulva, caracterizada por:

  • Atipias celulares (alterações no formato e organização);
  • Aumento do número de mitoses;
  • Alterações na maturação epitelial;
  • Sem invasão da membrana basal — por isso a NIV ainda não é câncer.

Originalmente, a NIV era classificada em graus (NIV 1, 2 e 3), conforme profundidade da alteração epitelial:

  • NIV 1: atinge até um terço do epitélio.
  • NIV 2: acomete até dois terços.
  • NIV 3: envolve mais de dois terços do epitélio — também chamada de carcinoma in situ da vulva.

Hoje, a classificação mudou para:

  • NIV tipo usual: relacionada ao HPV, mais comum em mulheres jovens.
  • NIV diferenciada: não relacionada ao HPV, associada a doenças vulvares crônicas, especialmente líquen escleroso.

Compreender qual o tipo de NIV é essencial para definir a melhor estratégia de tratamento, já que o risco da NIV diferenciada é maior do que da NIV usual e ambas são consideradas lesões precursoras do câncer vulvar, sendo necessária intervenção adequada.

Causas e fatores de risco da NIV

A neoplasia intraepitelial vulvar está associada a diversos fatores que aumentam a chance de desenvolvimento. Entre os principais destacam-se:

  • Infecção persistente por HPV, especialmente os tipos de alto risco — fator associado ao tipo usual de NIV;
  • Tabagismo, que reduz imunidade local e aumenta risco de progressão;
  • Imunossupressão, como em pacientes com HIV ou uso de medicamentos imunossupressores;
  • Doenças vulvares crônicas, como líquen escleroso, que predispondo a alterações locais e ao tipo diferenciado de NIV;
  • Histórico de lesões intraepiteliais em outras regiões do trato anogenital (colo uterino, vagina, anal);
  • Idade: embora a NIV diferenciada seja mais comum em mulheres mais idosas, a forma usual pode aparecer em mulheres mais jovens.

Esses fatores não implicam que toda mulher com HPV ou fumante terá NIV, mas elevam o risco, especialmente quando cumulativos.

Sinais e sintomas da neoplasia intraepitelial vulvar (NIV)

A NIV pode ser assintomática no início e descoberta apenas no exame ginecológico ou por meio de investigação colposcópica.

Quando presentes, os sintomas podem incluir:

  • Coceira vulvar persistente ou recorrente;
  • Queimação ou ardência na região vulvar;
  • Dor ou desconforto ao toque;
  • Alterações visuais da pele vulvar: placas, áreas esbranquiçadas, avermelhadas, pigmentadas;
  • Dor durante relação sexual (dispareunia);
  • Sensação de “ferida que não cicatriza”.

Esses sinais não são exclusivos da NIV, podendo coexistir com outras condições vulvares — por isso a avaliação especializada é fundamental.

Como diagnosticar a NIV?

O diagnóstico da neoplasia intraepitelial vulvar envolve várias etapas:

  1. Exame clínico e inspeção vulvar detalhada: o médico examina cuidadosamente toda a vulva, buscando alterações visuais e palpáveis.
  2. Vulvoscopia (exame com magnificação, similar à colposcopia) pode ser utilizada para destacar áreas suspeitas e orientar biópsia.
  3. Biópsia da lesão vulvar: é o exame definitivo (padrão ouro). Retira-se fragmento de tecido para análise histopatológica, confirmando ou não a presença da NIV, o tipo e seu grau.
  4. Em alguns casos, utiliza-se coloração com ácido acético ou corante para evidenciar áreas de atipia na mucosa vulvar.

É importante que o laudo estabeleça o tipo (usual ou diferenciado), o grau de atipia e margem de segurança, para orientar a conduta terapêutica.

Existe risco de a NIV virar câncer?

Sim. A neoplasia intraepitelial vulvar é considerada uma lesão pré-invasiva com risco potencial de progressão para câncer vulvar, caso não diagnosticada ou tratada adequadamente.

O risco é maior em:

  • NIV diferenciada (relacionada a líquen vulvar);
  • Pacientes imunossuprimidas;
  • Lesões extensas;
  • Casos de HPV persistente.

Por isso, mesmo em casos de regressão espontânea relatada, recomenda-se vigilância rigorosa ou tratamento.

A NIV é transmissível?

A NIV quando causada pelo vírus do HPV é uma lesão que transmite o vírus; ou seja, a lesão apresenta a presença do vírus e no contato genital-genital, genital-oral ou genital-anal irá transmitir a infecção para o parceiro ou parceira que pode ou não desenvolver alguma lesão por HPV dependendo da sua imunidade e presença de fatores de risco associados.

Qual é o tratamento para a neoplasia intraepitelial vulvar?

A escolha do tratamento depende do tipo de NIV, extensão, sintomas, idade da paciente e risco de progressão.

As opções incluem:

  • Excisão cirúrgica local ou ampla da lesão, com margens de segurança — método indicado para NIV diferenciadas pelo maior risco de progressão para câncer;
  • Laser CO₂ ginecologico ou vaporização a laser preservando o tecido saudável ao redor: padrão ouro (melhor tratamento) para NIV usual independente do grau por tratar a lesão sem mutilar a vulva. Muito útil em áreas sensíveis ou múltiplas;
  • Terapia tópica com Imiquimod: uso de creme imunomodulador aplicado na lesão, induzindo resposta imunológica local. Tem demonstrado resultados promissores em casos de NIV tipo usual;
  • Vigilância ativa: em lesões pequenas, assintomáticas e com baixo risco — aplicável a mulheres jovens e imunocompetentes.

Laser para tratamento de NIV

O laser CO₂ é uma alternativa moderna e minimamente invasiva que permite vaporizar a lesão, com controle da profundidade e preservação tecidual. É indicado especialmente para NIV usual independente do grau, permitindo:

  • Tratamento preciso;
  • Preservação de tecido saudável;
  • Recuperação mais rápida.

Apesar disso, todas as modalidades de tratamento têm risco de recidiva, reforçando a necessidade de acompanhamento regular e a preferência por tratamento não excisional a fim de preservar a vulva e não mutilar a paciente.

Quem tem HPV sempre vai desenvolver NIV?

Não necessariamente. Nem toda mulher infectada pelo HPV vai ter neoplasia intraepitelial vulvar. Muitas infecções por HPV são transitórias e são eliminadas pelo sistema imunológico.

A progressão para NIV depende de fatores como:

  • Persistência do HPV de alto risco;
  • Tabagismo;
  • Imunidade reduzida;
  • Doenças vulvares crônicas.

Como prevenir a neoplasia intraepitelial vulvar?

Algumas estratégias podem reduzir o risco de NIV:

  • Vacinação contra HPV, especialmente nas idades recomendadas, já que reduz infecções por tipos de alto risco;
  • Evitar tabagismo, que é fator de risco conhecido;
  • Tratamento correto e acompanhamento constante de doenças vulvares crônicas (líquen escleroso e outras dermatoses vulvares);
  • Consultas ginecológicas regulares, com exame vulvar cuidadoso;
  • Vigilância ativa em mulheres com lesões prévias no trato anogenital;
  • Adotar medidas de proteção nas relações sexuais e controle de imunossupressão.

Essas ações não garantem ausência total de risco, mas reduzem significativamente probabilidade de surgimento ou progressão.

Se você apresenta:

  • Coceira persistente,
  • Placas ou manchas na vulva,
  • Ardência,
  • Dor na relação,
  • Ferida que não cicatriza,

É recomendada avaliação imediata com ginecologista especialista em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia. A Dra. Maria Emília F. De Barba avalia cada caso individualmente e, quando indicado, realiza os exames necessários para diagnóstico da neoplasia intraepitelial vulvar e definição do tratamento mais seguro e adequado à sua condição.

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Fontes:

Associação Médica Brasileira

Febrasgo

Manual MSD

Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia

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