A cauterização do colo do útero é um procedimento ginecológico usado para tratar lesões cervicais benignas, controlar sangramentos e estimular a regeneração local
Muitas mulheres ficam apreensivas ao ouvir sobre cauterização do colo do útero. A ideia de “queimar” tecido soa agressiva, mas na prática é um procedimento bastante estabelecido, quando indicado com segurança e critério. Ele pode resolver feridas (ectopia cervical), corrimentos ou sangramentos na relação sexual — desde que bem empregado e conduzido por ginecologista experiente.
Aqui, vamos destrinchar tudo sobre cauterização do colo do útero: para que serve, como é feita, riscos, recuperação e o que pode — ou não — esperar desse tratamento.
O que é a cauterização do colo do útero?
A cauterização consiste em destruir ou “queimar” de forma controlada pequenas áreas alteradas do revestimento cervical. Isso pode ser feito por:
- Eletrocautério
- Laser CO₂
- Cauterização química com ácido tricloroacético
O objetivo é remover o tecido doente ou inflamado e permitir que novas células saudáveis regenerem a superfície do colo.
Em termos simples: trata-se de um estímulo controlado à cicatrização para restaurar o epitélio cervical.
Cauterização pode ser usada como sinônimo de vaporização com laser de CO2. A diferença é a profundidade atingida, visto que a cauterização com eletrocautério ou química atinge em média 2mm e não garante profundidade para tratamento de lesões pré câncer causadas pelo vírus HPV; já a vaporização com laser de CO2 com micromanipulador atinge 7 mm de profundidade chega até as criptas endocervicais e possibilita o tratamento das lesões pré-câncer.
Quando a cauterização do colo do útero é indicada?
A cauterização do colo do útero costuma ser indicada nos casos em que há:
- Lesões cervicais de baixo grau (NIC I) relacionadas ao HPV persistente, que não regrediram com observação clínica (exclusivo para vaporização com laser CO2 com micromanipulador);
- Ectopia cervical (ou ectrópio) pós tratamento de lesões causadas pelo vírus do HPV;
- Sangramentos persistentes após relação sexual quando associado a ectopia;
- Ectopia cervical associação a secreção vaginal aumentada;
- Corrimento de repetição que não melhora com terapias convencionais e está associado a área de ectopia no colo do
A ectopia cervical também chamada de ectrópio e popularmente conhecida como “ferida no colo do útero” é uma condição benigna em que o epitélio glandular que reveste a parte interna do útero se estende no colo do útero e essa área é mais suscetível a contaminação com doenças sexualmente transmissíveis como clamidia, neisseria, HPV e até mesmo HIV. Ela ocorre por uma questão hormonal e é mais comum em mulheres usuárias de anticoncepcional oral por longa data e em tabagistas. Só necessita ser tratada caso a mulher apresente sintomas como sangramento vaginal na relação sexual ou secreção vaginal aumentada ou pós tratamento de neoplasia intraepitelial cervical (lesão pré câncer causada pelo vírus do HPV no colo uterino).
Em que casos não é recomendada?
- Quando a lesão é de alto grau (NIC II, NIC III) e há suspeita de carcinoma (câncer invasivo), pois nesses casos são indicados procedimentos mais invasivos como conização;
- Em presença de infecção ativa no colo do útero, corrimento com sinais de infecção, ou condição inflamatória não tratada, como infecção por clamídia ou candidiase;
- Durante menstruação ou sangramento de causa desconhecida;
- Quando há condições médicas que contraindicam intervenção local — distúrbios de coagulação, uso contínuo de anticoagulantes, ou outros fatores que aumentem riscos de sangramento.
Como é feita a cauterização do colo uterino?
- Avaliação prévia médica: exame ginecológico, Papanicolau recente, colposcopia se necessário, exclusão de infecções ou contraindicações;
- Preparo local: a paciente se posiciona como num exame de rotina, com introdução de espéculo para exposição do colo do útero;
- Aplicação do método de cauterização: uso de laser, eletrocautério, ou substância química (ácido tricloroacético) para “queimar” ou vaporizar o tecido alterado;
- Duração do procedimento: costuma ser relativamente breve — em torno de 10 a 15 minutos dependendo do método de cauterização e da extensão da ectopia;
- Finalização: limpeza local, observação breve e liberação da paciente com orientações de cuidados pós-procedimento.
O que acontece depois da cauterização?
Após a cauterização do colo do útero, a região inicia um processo de cicatrização. Pode haver formação de uma crosta ou “casquinha”, descamação tecidual e leve sangramento ou corrimento enquanto o tecido se reestrutura.
É essencial seguir atentamente as orientações médicas para evitar complicações, favorecer a cicatrização e garantir que a nova mucosa cervical se forme adequadamente.
Quem faz cauterização do colo do útero precisa ficar de repouso?
Não, a mulher pode manter suas atividades normais, com exceção de:
- Esforço intenso por 24–48h;
- Relação sexual por 3 a 30 dias (após cauterização química é necessário aguardar 3 dias para ter relação, já no caso de vaporização com laser co2 ou cauterização com eletrocautério é necessário aguardar 20 a 30 dias);
- Uso de absorvente interno;
- Duchas vaginais.
Sintomas esperados no pós-procedimento
- Dor leve tipo cólica;
- Sangramento discreto (rosado ou “borra de café”) ou corrimento vaginal moderado;
- Descamação tecidual;
Quais os riscos de uma cauterização?
Embora seja um procedimento seguro, alguns riscos e complicações podem ocorrer:
- Sangramento mais intenso;
- Odor fétido;
- Transformação do epitélio glandular para escamoso tornando a zona de transformação endocervical;
- Cólica moderada;
- Em casos raros, alteração na anatomia do colo pode atrapalhar a fertilidade pela alteração do muco cervical.
A escolha de técnica adequada, experiência médica e seguimento são fundamentais para minimizar esses riscos.
Cauterização do colo do útero dói?
A maioria das mulheres não sente dor, sente no máximo uma cólica leve. Pode haver sensação de ardência ou leve desconforto no momento da aplicação do espéculo.
Após o procedimento, dor tipo cólica leve pode ocorrer no dia, sendo geralmente controlada por analgésicos simples conforme orientação médica.
A cauterização do colo do útero pode afetar a fertilidade?
Em geral, não.
Quando bem indicada e superficial, a cauterização não afeta a capacidade de engravidar. O tratamento atua apenas na camada externa do colo. Eventuais riscos surgem apenas se houver cicatrização anômala ou intervenções repetidas — por isso, a indicação correta é fundamental.
A cauterização substitui o tratamento para HPV?
A cauterização quando realizada com laser CO2 com micromanipulador trata as lesões causadas pelo HPV. Já cauterização com eletrocauterio ou quimica não são suficientes para destruir as lesões.
Além disso, vale lembrar que é importante o acompanhamento pós tratamento, aplicação da vacina HPV e hábitos que fortaleçam a imunidade.
Qual médico realiza a cauterização do colo do útero?
Este procedimento deve ser conduzido por ginecologista habilitado, preferencialmente com título de especialista em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia.
Se você identificou lesão cervical ou sintomas como sangramento após relação ou corrimento atípico, agende uma consulta com a Dra. Maria Emília Ferreira De Barba e descubra se a cauterização do colo do útero é a opção adequada ao seu caso.
Fontes:
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo)



