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Vulvovaginite: sintomas, causas e tratamentos


Figura ilustrativa de mulher com mãos na parte íntima
Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)

7 outubro, 2025 |

| 6 min. de leitura

A vulvovaginite é uma inflamação que afeta a vulva e a vagina, causando corrimento, coceira, ardência e desconforto íntimo.

É uma das queixas ginecológicas mais comuns e pode atingir mulheres de todas as idades — desde meninas até idosas. Acomete a vulva e a vagina, provocando inflamação e desconforto. A vulvovaginite pode ter diversas causas, sendo as principais as infecções, como a vaginose bacteriana (a mais comum), a candidíase (fungos) e a tricomoníase (parasita), ou fatores não infecciosos, como irritações químicas, alergias e alterações hormonais.

Embora muitas vezes não seja grave, o desconforto causado pela vulvovaginite impacta diretamente a qualidade de vida, afetando o bem-estar físico, emocional e a vida sexual. Reconhecer os sintomas e buscar tratamento médico adequado é fundamental para evitar complicações e recorrências. A seguir, vamos entender melhor as causas, sintomas, formas de diagnóstico e tratamento dessa condição.

O que é vulvovaginite?

A vulvovaginite é uma inflamação simultânea da vulva e da vagina. É crucial entender que esta é uma definição ampla, e a causa específica precisa ser identificada para o sucesso do tratamento. A condição pode ser:

  • Aguda: com sintomas intensos e súbitos.
  • Crônica: com sinais mais leves, mas persistentes ou recorrentes

Em meninas antes da puberdade e em mulheres na pós-menopausa, a vulvovaginite pode estar associada à baixa produção de estrogênio, que reduz a lubrificação natural e a resistência da mucosa vaginal.

Fatores de risco e causas da vulvovaginite

Os fatores que aumentam o risco de desenvolver vulvovaginite incluem:

  • Alterações hormonais (menopausa, gravidez, uso de anticoncepcionais);
  • Baixa imunidade;
  • Uso frequente de antibióticos;
  • Higiene íntima inadequada ou excessiva;
  • Relação sexual desprotegida e múltiplos parceiros;
  • Contato com sabonetes perfumados, desodorantes íntimos e outros produtos irritantes.

Principais causas infecciosas: não Todas são iguais

  1. Vaginose bacteriana (VB): É a causa mais comum de corrimento vaginal. Não é uma infecção por um agente externo, mas sim um desequilíbrio da flora vaginal, onde bactérias benéficas (lactobacilos) são substituídas por outras, como a Gardnerella vaginalis e bactérias anaeróbias. A VB não é classicamente considerada uma IST, mas a atividade sexual é um fator de risco relevante, e estudos recentes indicam o potencial de transmissão sexual.
  2. Candidíase vulvovaginal: Causada principalmente pelo fungo Candida albicans. É conhecida por causar intensa coceira vaginal e corrimento espesso. Está frequentemente associada a fatores como duchas vaginais, uso de antibióticos e diabetes.
  3. Tricomoníase: Causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. Esta é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) de notificação obrigatória, que requer tratamento do(a) parceiro(a) para evitar a reinfecção.

Causas não infecciosas de vulvovaginite:

Incluem reações alérgicas ou irritações por produtos de higiene íntima perfumados, sabonetes, amaciantes de roupa, tecidos sintéticos e roupas muito apertadas. Na pós-menopausa, a baixa produção de estrogênio pode levar à vaginite atrófica, tornando a mucosa mais fina, seca e vulnerável. Além disso, existe também a vaginose citolítica, uma desregulação do pH da vagina que apresenta sintomas semelhantes a candidíase, como ardência na vagina que pode se intensificar no período pré-menstrual.

Principais sintomas da vulvovaginite

Os sintomas variam conforme a causa. É importante observar as características:

Causa ProvávelCorrimentoOdorOutros Sintomas Comuns
Vaginose BacterianaCinza ou amarelado, fino e homogêneo.Forte odor “de peixe”, especialmente após relação ou menstruação.Pouca coceira ou ardência.
CandidíaseBranco, grumoso (como “leite coalhado”).Sem odor forte.Coceira intensa, ardência, vermelhidão e inchaço.
TricomoníaseAmarelo-esverdeado, espumoso e abundante.Odor fétido.Ardência ao urinar, desconforto abdominal.

Sintomas gerais incluem: coceira, ardência ao urinar, dor durante a relação sexual (dispareunia), vermelhidão e inchaço na vulva. Além disso, a intensidade dos sintomas varia conforme a causa e o tempo de evolução da inflamação.

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Como o diagnóstico é realizado?

O diagnóstico é feito durante a consulta ginecológica, a partir da avaliação clínica e do histórico da paciente. Em alguns casos, são solicitados exames complementares para ajudar a identificar o agente causador e excluir doenças sexualmente transmissíveis, como: painel infeccioso (pesquisa de clamídia, neisseria, microplasma, ureaplasma e trichomonas);

  • Coleta de secreção vaginal;
  • Cultura microbiológica;
  • Testes de pH vaginal;
  • Exame de colposcopia (quando necessário);
  • Exame de microbioma vaginal – o exame de microbioma é mais moderno, completo e preciso e está revolucionando o diagnóstico das vulvovaginites.

Esses microrganismos identificados no painel infeccioso são causas de cervicites (inflamação do colo do útero) e fazem parte do diagnóstico diferencial das vulvovaginites.

Como tratar a vulvovaginite?

O tratamento depende da causa. Quando a origem é infecciosa, podem ser prescritos antifúngicos, antibióticos ou medicamentos antiparasitários, via oral ou tópica. Nos casos de irritação não infecciosa, a retirada do agente causador e o uso de cremes calmantes podem ser suficientes. Já nos casos de atrofia genital, uso de creme de hormônios e tratamento com laser estão indicados.

Também é importante adotar cuidados de higiene íntima equilibrados, evitar roupas justas e optar por tecidos de algodão para permitir a ventilação da região.

Além disso, recomenda-se:

  • Evitar roupas apertadas e tecidos sintéticos;
  • Preferir calcinhas de algodão;
  • Manter uma higiene íntima equilibrada;
  • Evitar duchas vaginais e produtos perfumados.

Cada mulher deve receber tratamento personalizado, ajustado à sua idade, histórico e causa da inflamação.

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O que acontece se não tratar a vulvovaginite?

Ignorar os sintomas pode levar a:

  • Infecções recorrentes;
  • Alterações da flora vaginal;
  • Infecções pélvicas;
  • Desconforto sexual e impacto emocional.

Buscar atendimento médico precoce é fundamental para restaurar a saúde íntima e prevenir complicações.

Qual médico trata a vulvovaginite?

O profissional indicado para diagnosticar e tratar a vulvovaginite é o ginecologista, o qual possui o conhecimento necessário para identificar a causa, prescrever o tratamento adequado e orientar sobre medidas preventivas.

Qual a diferença entre vulvovaginite, candidíase e vaginose?

  • Vulvovaginite: Termo geral para INFLAMAÇÃO da vulva e vagina.
  • Candidíase: Um tipo de vulvovaginite INFLAMATÓRIA causada por fungos.
  • Vaginose Bacteriana: É um DESEQUILÍBRIO da flora com proliferação bacteriana, mas sem inflamação significativa, daí o termo “ose”. É a causa mais comum de corrimento.

A vulvovaginite é transmissível para o homem?

A transmissão depende da causa. Infecções por fungos como a Candida raramente são transmitidas para homens, enquanto causas parasitárias, como a tricomoníase, têm maior potencial de contágio. Já no caso da vaginose bacteriana, as evidências científicas atuais mostram que a VB está fortemente associada à atividade sexual. Homens podem abrigar as bactérias da VB na uretra, podendo contribuir para a reinfecção da parceira em relações desprotegidas. Em casos de VB recorrente, avaliamos a necessidade de estender a orientação ao parceiro.

O uso de preservativos reduz o risco de transmissão quando a vulvovaginite tem origem infecciosa.

A vulvovaginite pode voltar? (É recorrente?)

Sim, casos de recorrência exigem uma investigação mais profunda para identificar fatores de risco específicos, como hábitos de higiene, resistência a medicamentos ou desequilíbrios da flora intestinal.

Quando procurar uma ginecologista?

Se você apresenta corrimento, coceira, ardência ou irritação na região íntima, não adie o cuidado. O diagnóstico correto e o tratamento individualizado evitam complicações e promovem o bem-estar íntimo.

Agende sua consulta com a Dra. Maria Emília Ferreira de Barba, ginecologista especialista em uroginecologia, patologia do trato genital inferior, colposcopia, endoscopia ginecológica e ginecologia regenerativa.

Receba um atendimento personalizado e cuide da sua saúde íntima com segurança e acolhimento e realize conosco seu exame de microbioma vaginal.

 

Fontes:

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia

Prefeitura de São Paulo

Repositório Institucional – Universidade Federal de Uberlândia

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