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Qual a relação do DIU com HPV?


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Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)

21 outubro, 2025 |

| 4 min. de leitura

DIU aumenta a eliminação do vírus HPV e associa-se a menor risco de câncer do colo do útero

O dispositivo intrauterino (DIU) é um método contraceptivo de longa duração amplamente utilizado, disponível nas versões de cobre e liberadora de levonorgestrel. Além de contracepção, o DIU influencia o ambiente uterino local e, por isso, vem sendo estudado quanto ao seu impacto sobre doenças do trato genital, incluindo infecção por Papilomavírus Humano (HPV) e câncer do colo do útero. A relação do DIU com HPV têm recebido atenção por estudos que combinaram dados de grandes coortes e registraram uma associação inversa com o risco de câncer cervical.

O que é o HPV?

O HPV é um conjunto de vírus que infecta os epitélios da pele e mucosas. Alguns genótipos são considerados de baixo risco e provocam verrugas genitais; outros, chamados de alto risco (por exemplo, HPV 16, 18 e 45), estão associados à evolução para neoplasia intraepitelial cervical (NIC) e câncer do colo do útero quando a infecção persiste. A maioria das infecções é transitória, eliminada pelo sistema imunológico; a persistência do vírus é o principal fator para progressão para lesões graves.

Quais os tipos existentes de HPV?

Há dezenas de genótipos de HPV. De forma prática, dividem-se em: tipos de baixo risco (associados a condilomas) e tipos de alto risco (associados a lesões pré-malignas e câncer). As vacinas atuais protegem contra os genótipos mais comuns e mais oncogênicos, reduzindo a incidência de lesões causadas por esses tipos.

Qual a relação do DIU com HPV?

A relação do DIU com HPV envolve duas dimensões distintas: a aquisição do vírus e a progressão das lesões causadas pelo vírus. Estudos robustos, que acompanharam milhares de mulheres, são categóricos: o uso do Dispositivo Intrauterino (DIU) não facilita a aquisição do vírus HPV. Em contrapartida, observou-se que o DIU reduz pela metade o risco de câncer do colo do útero.

Esses achados sugerem que a relação do DIU com HPV não está ligada à prevenção da infecção, mas possivelmente à modulação do curso natural da infecção e das lesões. Ou seja, o DIU não evita que o vírus entre em contato com o epitélio cervical, mas influencia na probabilidade de que uma infecção persistente progrida para uma lesão grave, pois aumenta em 20% o clearance do HPV (taxa de eliminação do vírus).

Uma descoberta surpreendente: o DIU e a proteção contra o câncer cervical

Grandes meta-análises revelaram que usuárias de DIU tiveram uma redução de até 50% no risco de desenvolver câncer do colo do útero comparado àquelas que não usaram o dispositivo.

Como isso é possível?

A presença do DIU no útero parece estimular uma resposta imunológica localizada no colo do útero. Esse microambiente inflamatório benéfico “acorda” o sistema de defesa, ajudando o corpo a identificar e eliminar células infectadas pelo HPV com mais eficiência, impedindo que evoluam para um câncer. É um efeito protetor indireto, mas significativo.

Quem tem HPV pode colocar DIU?

Sim. A presença de HPV isolada, sem lesões de alto grau, não contraindica a inserção do DIU. O critério principal é a avaliação clínica: se houver cervicite ativa, secreção purulenta ou suspeita de lesão que demande investigação imediata, a inserção deve ser postergada até tratar a condição. Para pacientes com teste de HPV positivo, mas sem achados colposcópicos ou histológicos preocupantes, o DIU é a melhor opção contraceptiva, com acompanhamento regular do rastreamento cervical.

Indicações do DIU no contexto do HPV

  • Opção contraceptiva para mulheres com teste de HPV positivo e sem lesões de alto grau;
  • Método preferível em mulheres que buscam contracepção de longa duração e têm acompanhamento ginecológico regular;
  • Não recomendado como prioridade quando há necessidade de investigação diagnóstica urgente de alterações cervicais; nesses casos, prioriza-se a colposcopia e o tratamento apropriado antes de decisões contraceptivas.

A decisão deve ser individualizada, considerando idade, desejo reprodutivo, resultados de exames e preferência da paciente.

Benefícios do DIU na saúde ginecológica

Além da contracepção eficaz, o DIU liberador de hormônio reduz sangramentos menstruais intensos, o que melhora a anemia associada à menstruação volumosa. Além disso, reduz em até 88% o risco de câncer de endométrio, camada interna do útero, além de reduzir a formação de pólipos endometriais e cervicais e de hiperplasia de endométrio. O DIU de cobre é uma opção não hormonal que reduz pela metade o risco de câncer de colo uterino. Esses potenciais benefícios somam-se ao perfil de segurança quando o método é indicado e acompanhado corretamente.

A relação do DIU com HPV reforça um ponto prático: o DIU não aumenta a aquisição do vírus e está associado a menor risco de progressão para câncer cervical, além de aumentar as chances de eliminar o vírus do HPV. A escolha do método contraceptivo deve priorizar segurança, eficácia e adequação às necessidades da paciente, sempre com rastreamento cervical regular.

Agende uma consulta com a Dra. Maria Emília Ferreira De Barba para avaliar opções contraceptivas, esclarecer dúvidas sobre a relação entre DIU e HPV e receber orientação personalizada baseada em evidência clínica.

 

Fonte:

https://www.thelancet.com/journals/lanonc/article/PIIS1470-2045(11)70223-6/fulltext

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